sexta-feira, 30 de março de 2012

Um Momento de Raiva


"Um soberano jamais deve colocar em ação um exército motivado pela raiva; um líder jamais deve iniciar uma guerra motivado pela ira."
(Sun Tzu)

Acho que até a criatura considerada mais santa por todos, já teve um daqueles dias.

Quem nunca sentiu uma raiva tão forte a ponto de começar a discutir descontroladamente (“bater boca”)? Ou então um daqueles extremos que dá vontade de quebrar alguma coisa?

É nesses picos de raiva que normalmente as pessoas acabam dizendo mais do que o necessário, passando dos limites. Ou então, acabam por agredir outra(s) pessoa(s). É neles também que se produzem algumas crueldades em palavras ou em ações.

Um gesto de amor pode mudar uma vida.

Um gesto de raiva, idem.

Com a experiência que tenho hoje com atendimento a seres humanos e até alguns bichos de estimação, posso dizer que a raiva deixa marcas de ambos os lados. Mas se para o agressor fica a culpa e o arrependimento (pelo menos às vezes), para o agredido pode se produzir um trauma por toda uma vida.

O que para um adulto é um minuto de extrema irritação seguido de uma atitude e uma repreensão cortante, para uma criança (um futuro adulto), será uma recordação comumente difícil de ser contornada através do tempo.

Ainda assim, a raiva em si não é um mecanismo inútil na natureza das emoções humanas.

É a raiva quem te dá o combustível para lutar ou morrer. Em épocas remotas, a agressividade foi fundamental na luta predatória. O problema é que a natureza de ontem e a consciência de hoje residem no mesmo lugar: em nós.

No popular joguinho Angry Birds, os pássaros têm seus ovos roubados por porcos verdes (guarde essa cor). O jogador deve lançar esses pássaros com um estilingue gigante de modo a tirar de circulação os porcos e recuperar os ovos (é bem divertido)! Mas o caso é que os angry birds - os pássaros "raivosos" - são tomados pela ira em busca de um objetivo louvável, que é retomar os ovos.

Você não precisa ser atacado por um animal selvagem antigo para sentir uma raiva bem parecida com a das críticas que o seu chefe acaba de lançar sobre o seu trabalho tão bem produzido. A sopa bioquímica envolvida é praticamente a mesma.

Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC) a raiva é a emoção capaz de desarmonizar o elemento Madeira, e os órgãos associados: Fígado e Vesícula Biliar. Nesse milenar sistema médico, a cor associada é o verde. Casualmente, nas expressões populares você já deve ter ouvido a expressão “verde de raiva” – possivelmente um modo intuitivo de apreender essas informações.

Sabe-se que pela nossa boa e velha fisiologia ocidental, o fígado perturbado provoca alterações na coloração da pele. Por isso creio que as campanhas de promoção de saúde tem muito a aprender com Naturologia e Medicinas Alternativas e Complementares (MAC nos termos da Organização Mundial de Saúde).

Pelo pensamento do psiquiatra e psicanalista Wilhelm Reich na sua teoria das couraças, a raiva está associada à região oral:
O segmento oral inclui os músculos do queixo, garganta e a parte de trás da cabeça. O maxilar pode ser excessivamente preso ou frouxo de forma antinatural. As expressões emocionais relativas ao ato de chorar, morder com raiva, gritar, sugar e fazer caretas são todas inibidas por este segmento. (Fonte: Psiqweb).
Da próxima vez que a raiva se apoderar de você, saiba que essa “energia” doada pelo estado emocional pode ser útil para mobilizar recursos e resolver situações. Mas é preciso saber como conduzi-la a fim de não ser irracionalmente arrastado e no famoso agir sem pensar, criar aqueles citados traumas e destruições que produzidos num segundo se propagam por uma vida.

Hoje se sabe de muitos grupos que se propõem ao manejo da raiva, e ao apoio àqueles com dificuldades para lidar com ela e que em alguns casos recaem na violência.

Não é raro lavar a alma assistindo um programa de televisão, com uma boa cena de discussão, ou ao ler livros, assistir filmes, ouvir uma música cujo específica, e até nos jogos eletrônicos ou esportes. Embora isso descarregue a tensão, é preciso aprender no dia a dia, nas pequenas coisas que passam despercebidas, a cultivar certa paciência e quem sabe um pouco de gentileza - principalmente quando não estamos com raiva, mas nos pegamos diante da raiva do outro.

Esse texto não se propõe a resolver o assunto, apenas a pensar. Há modos e modos de fazer as coisas. O ditador e o santo possuíram um corpo físico, com estados emocionais comuns a todos nós. Mas o que o ditador fez com sua raiva? O que o santo fez?

Para eles e para nós, fica a reflexão sobre o que já podemos ter produzido sem querer com nossas explosões. E também, a necessidade e a esperança de conhecer e bem utilizar essa parte de nós, que por vezes é relegada à sombra (é “feio” sentir e demonstrar raiva!).

Aceitar o que sentimos, procurar meios menos destrutivos de liberar a raiva para o exterior, e usar sua indignação e sua força para produzir bons frutos de um modo criativo.

Um desafio e tanto.


terça-feira, 27 de março de 2012

BBB (2012)


O Big Brother Brasil 12 está em vias de terminar, mas independente disso, o reality já há algum tempo tem gosto de encerramento. 

A premissa para a edição de 2012 eram mudanças, retomar elementos da primeira edição, e reformas na casa. O que vimos, contudo, foi mais do mesmo. Aliás, seria bom, se não tivéssemos tido algo bem aquém do que se esperava tradicionalmente do programa.

Não é de hoje o BBB deixou de ser um jogo de convivência, para se tornar um jogo de manipulações. Diversos elementos entram em cena para jogar os participantes uns contra os outros, ou então aumentar a pressão do confinamento – sem regras claras, tudo a sabor da audiência e dos barracos.

A criação de um quarto com tema de selva e outro de praia parece inocente, porém um olhar atento sobre as atitudes da turma da selva demonstra como o “tema” pareceu ter levado seus moradores aos extremos do instinto e das discussões – os selvagens da selva.

O lado praia dispensa comentários nesse sentido - seus participantes foram os mais tranquilos, e aliás, os menos mobilizados. Poderia fazer um texto só sobre a psicologia da casa do BBB em decoração e projeto.

Ao longo do tempo ficou comprovado que a audiência do programa deixou a desejar. Não foram poucas as vezes em que Aguinaldo Silva (autor da novela Fina Estampa que entrava no ar antes do programa), tripudiou sobre a diferença enorme que se fazia quando a novela terminava. O incidente do suposto estupro só piorou a situação. Nas ruas, ao contrário de antigamente, nada de discussões, comentários... No mundo virtual, celebridades que sempre foram amantes do BBB se calaram, e refletiram a falta de interesse das criaturas comuns fora da mídia.

E não é pra menos, há um bom tempo o público espera algo diferente, algo que não acontece.

Na reta final, a quase uma semana do fechamento, a única pessoa que ainda arrancava alguns risos ou o carisma do público foi eliminada do programa. Ela atendia pelo nome de Monique.

Do pouco que percebi das pessoas que funcionam por trás do que vemos na televisão, fosse em entrevistas ou nas minhas percepções “extrassensoriais” várias delas dizem não gostar do programa e que jamais participariam dele. Ora, o que esperar de uma proposta na qual os próprios idealizadores, apresentadores, produtores, sequer sentem “afinidade”?

No BBB 12 não houve inovação em nenhum sentido. Não cativou o público, muito menos encantou, e nem mesmo o ambiente agradou. O termo “campeão de audiência” que às vezes surge quase como slogan, está longe de se referir a essa edição. Além disso, um recurso novo que pouco agradou: certos apelidos que apareciam em legendas no início do programa, espécie de rótulos dos participantes.

Apesar de ser considerado por boa parte das pessoas como um programa ruim, me interesso um bocado por ele de modo geral, e teria curiosidade de participar de uma edição – como seria estar lá dentro? Como me sentiria? E explico minhas razões.

O BBB é uma metáfora da vida. Os participantes quase reencarnam ao atravessar a porta de entrada: aos poucos vão deixando para trás quem foram, vivendo num microcosmo com suas leis e convenções próprias. Tornam-se personagens, caricaturas esquisitas. Ao final morrem, saem, deixam o confinamento (a falsa Terra) na qual estão vivos para serem agraciados pela luz ou pelas trevas da opinião pública, do mundo real e maior (o que seria o espiritual). Não é de admirar que chorem tanto a cada eliminação, nem que os condenados adorem dar conselhos aos que ficam: cada eliminação mimetiza um pequeno luto.

Além disso, as decisões de paredão refletem a ética dos que decidem quem fica ou quem sai. É conhecer um pouco das coisas que não são faladas, mas estão explícitas nas convenções e nos valores ocultos que têm muito mais peso que imaginamos em nosso dia a dia. O que a vitória de Jonas mostrará a todos nós? Prefiro não tecer considerações, mas certamente algumas existiriam.

Debruçar-se sobre o BBB é observar a natureza humana (dentro e fora da casa).

É por essas e outras razões que gosto de acompanhar e pensar sobre o programa. É por essas e outras que critico, e que às vezes acho os discursos e mensagens de eliminação inteligentes, ou na maior parte das últimas vezes, desgastados junto à fórmula de brigas ou romances forçados, e à artificialidade dos elementos da casa.

Independente das divagações, sinto muito: a meu ver, a 12ª edição do programa não decolou. A “nave” BBB carece de uma bela recauchutagem. Boa sorte!

domingo, 25 de março de 2012

Florais de Bach: Considerações

Mount Vernon - a casa do Dr. Bach.

Quando você se descobre um amante de florais, é natural que gaste boa parte do seu tempo buscando livros e referenciais que te ajudem a conhecer melhor as essências com as quais deseja trabalhar. Em se tratando dos florais de Bach, então, o que não faltam são publicações e sites sobre o assunto.

Com o tempo, porém, você começa a perceber que existem muitas repetições. Não há muito o que dizer sobre isso. Quando Bach sentiu que estava próximo de deixar esse mundo, ele mesmo reuniu seu conhecimento do modo mais simples possível numa brochura que hoje é vendida com uma capa verde: "Os Remédios Florais do Dr. Bach" (clique aqui).

A realidade é que Bach desejava que o conhecimento sobre florais fosse acessível, ou seja, pudesse ser utilizado e compreendido pelo maior número de pessoas possível. Ele sonhava que ao tratar os aspectos negativos das personalidades, transformando-os em positivos, os seres poderiam se curar e aos poucos adquirir um estado melhor de saúde.

Há certas publicações de nomes "importantes" no Brasil que são verdadeiras bíblias em número de páginas, mas não referenciam com justiça os autores que as subsidiam e muito menos se são ao trabalho de explicar o que querem dizer com a maior parte das informações. Elas às vezes confundem mais do que ajudam, e no final das contas, ferem esse delicado princípio de claridade do conhecimento que tanto norteou o trabalho de Edward Bach.

Não vou me alongar muito sobre a filosofia ou a obra dele, pois já escrevi sobre isso em outro post: "Flores Para Bach" (clique aqui).

O que acho importante ressaltar contudo, aos colegas que utilizam florais e estudantes, é o cuidado na escolha de essências. Costumo sempre utilizar uma na maioria das vezes, de vez em quando duas, e em raras ocasiões três ou mais. Não é difícil encontrar terapeutas cheios de dúvidas diante das respostas que o floral trouxe, porque fizeram uma salada de frutas baseadas em palavras-chave e não focaram num objetivo para aquele momento. Quantidade não é sinônimo de qualidade, uma frase clássica e muito presente em termos de florais. Use muitas essências apenas se você compreende bem que modo elas estarão atuando juntas, e com isso evite de ficar perdido no que acontecer à pessoa que você orientou.

Pensando nas repetições de informações, hoje selecionei e traduzi um texto da terapeuta Pamela (Ella) Rich que traz um modo muito sutil de compreender algumas essências e ajuda a ampliar o modo de vê-las.

Uma dica: a quem se interessa pelo assunto das origens e dos motivos pelo qual a energia de tal planta trabalha com tal aspecto, o livro "Florais de Bach: uma Visão Mitologia, Etimológica, Arquetípica" de Henrique Vieira Filho é um verdadeiro banho de saciedade. É fácil notar que as bíblias da vida pegaram emprestado muito deste pequeno e acessível material - em termos de linguagem e preço. Utilizei bastante o livro do Filho na formação, até porque ele também traça alguns paralelos com a Medicina Tradicional Chinesa.

Sem me alongar mais, compartilho o texto de Ella com as fotos escolhidas por ela, na esperança de que possa facilitar a vida dos estudantes e profissionais na elaboração de materiais. Há uma única exceção interessante: "Hornbeam", que não estava na listagem e que eu incluí com minhas palavras.



Rescue Remedy 
(fórmula composta de cinco flores)


Essa fórmula promove calma, equilíbrio e estabilidade em uma situação de emergência. Ela é mais eficaz durante qualquer trauma profundo – ajudando a pessoa a lidar com a dor extrema e choque. Essa fórmula ajuda a parte alma-espiritual do Self a ficar conectada com o corpo físico durante estresse extremo.



Agrimony
(Agrimonia eupatoria, "Agrimônia")


Essa essência traz a honestidade emocional com o Self. Através do reconhecimento e transformação das dores profundamente enraizadas, aquele que está trabalhando com Agrimony pode vir a irradiar paz como uma realidade interna da alma – não apenas como uma máscara de bom humor educado.



Aspen
(Populus tremula, "Choupo-tremedor")


Essa essência apazigua qualquer medo ou ansiedade sobre o desconhecido. É especialmente eficaz para os indivíduos altamente intuitivos e os ajuda a integrar as mensagens do mundo espiritual. Por conseguinte, os indivíduos se tornam conscientemente empoderados para agir com grande conhecimento interior e atenção perceptiva.



Beech
(Fagus sylvatica, "Faia-europeia")


Essa essência lida com relacionamento com os outros, especificamente na aceitação das diferenças e imperfeições do outro. Isso pode ser de grande valia para os indivíduos que cresceram em meio à criticismo e expectativas elevadas. Atitudes exteriores de julgamento e intolerância refletem uma hipersensibilidade e ambientes físicos, sociais e pessoais. A essência Beech auxilia as pessoas a aprenderem a lidar com sua sensibilidade subjacente e encoraja a tolerância, de modo que o indivíduo possa enxergar o bem dentro de cada pessoa.



Centaury
(Erythraea centaurium, "Fel-da-terra")



Essa essência se refere a estabelecer fronteiras. Centaury ajuda o indivíduo a fortalecer e irradiar um senso interior de Self de modo que ele ou ela sabe quando “dar” e quando “chega, já é o bastante”. Doadores e nutridores podem acabar se sentindo esgotados e ressentidos quando eles se apoiam em agradar os outros pra receberam autoafirmação. Centaury oferece uma força beneficial e integridade a tais personalidades, ajudando-as a assumir uma maior autoconsciência, autorresponsabilidade, e a força interior para dizer “Não.” quando preciso.



Cerato
(Ceratostigma willmottiana, "Plumbago")


Essa essência encoraja a autoexploração para estabelecer intuições altamente sintonizadas e autoconhecimento. Ainda que a busca pelo conselhos dos outros possa vir a ser útil, no final das contas, cada pessoa é responsável por suas decisões e pelo direcionamento de um caminho de vida. Esse processo requer que os outros tenham menor influência, impelindo a alma a desenvolver uma capacidade crítica independente e um fortalecimento do sentido espiritual interior.



Cherry Plum
(Prunus cerasífera, "Cerejeira")



Cherry Plum é uma doce essência para permitir ao indivíduo receber orientação e proteção independente do estresse ou dificuldades extremos. Cherry Plum é indicada para ajudar o indivíduo a se religar com o Self Superior, entregar-se à fonte, e a se sentir divinamente apoiado e protegido.



Chestnut Bud
(Aesculus hippocastanum, "Castanha-da-índia")


Essa essência ajuda os indivíduos a se libertarem de erros habitualmente repetidos e padrões problemáticos. A essência Chestnut Bud ajuda os indivíduos a cultivarem entendimento kármico. Ao apreender mais rapidamente e mais completamente a natureza essencial da experiência em questão, a alma recolhe sabedoria e perspicácia.



Chicory
(Cichorium intybus, "Chicória")


Chicory é um recurso muito importante para forças de amor mal direcionadas. Ele promove o amor altruísta que é oferecido livremente e preenche a carência interior do ser – ajudando a desarmar comportamentos impróprios e manipulativos que estão disfarçados como amor. A essência Chicory promove entendimento das necessidades dos outros, e ajuda a recompor e reorientar a energia do coração.



Clematis
(Clematis vitalba, "Cipó-do-reino")


Clematiz traz consciência alerta, direcionada e vibrante àqueles que possuem uma tendência em direção a pensamentos por demais sonhadores e um evitar subjacente do aqui e agora. Ao promover uma clara presença física e emocional, essa essência ajuda o indivíduo a “surgir” para compartilhar seus dons com o mundo.



Crab Apple
(Malus pumila, "Macieira")


A essência Crab Apple auxilia limpeza, restauração, e produz pureza interior. Ela é indicada para ajudar a balancear tendências obsessivas compulsivas à limpeza excessiva, e pode também ser utilizada de modo geral para qualquer atividade de purificação, como o jejum. Esta essência floral incute uma perspectiva equilibrada da alma para o corpo e para a vida na Terra.



Elm
(Ulmus procera, "Olmo")


A essência Elm ajuda a transformar os sentimentos de sobrecarga e autoquestionamento em serviço alegre, e dá ao indivíduo confiança para cumprir as tarefas em mãos. Elm ajuda a tocar a inspiração e motivação do Self Superior, dos outros, e do mundo espiritual.



Gentian
(Gentiana amarella, "Genciana")


Essa essência encoraja a pessoa a perseverar, permanecer confiante, e manter a fé independente dos aparentes revezes, dúvidas ou percepção de fracasso. Gentian ajuda os desencorajados e desmotivados a mudar a perspectiva para ver os revestimentos prateados da vida. Essa essência floral ajuda a alma a erguer uma fortaleza interior e desenvolver uma confiança inabalável na decorrer dos acontecimentos da vida.



Gorse
(Ulex europaeus, "Tojo")


Gorse auxilia a transformar pessimismo internalizando em esperança e num otimismo cheio de luz. Essa essência ajuda a alma pessimista a cultivar esperança e confiança para tirar resultados positivos dos eventos futuros da vida. Essa qualidade de esperança afeta profundamente o físico assim como a cura emocional com intensas forças de luz interior e luminosa compreensão.



Heather
(Calluna vulgaris, "Urze")


Essa essência promove paz interior e autossuficiência emocional pela reversão dos padrões de autopreocupação e autopiedade. Essa essência ajuda o indivíduo a se sentir mais autorrealizado do que autoabsorvido. Sentimentos e energias que são excessivamente direcionados para dentro podem começar a mudar e se redirecionar para fora a fim de que mais energia possa ser compartilhada com os outros.



Holly
(Ilex aquifolium, "Azevinho-espinhoso")


Essa essência ajuda a transformar inveja, segregação, e suspeitas em compaixão, conexão, e habilidade de gratidão e amor, verdadeiramente sentidos no coração. Essência Holly nutre o coração e restaura a habilidade da alma de sentir em unidade e totalidade.



Honeysuckle
(Lonicera caprifolium, "Madressilva")


Honeysuckle ajuda promover aceitação das condições atuais de vida do ser e atualiza a necessidade da alma de revisitar eventos, lugares e relacionamentos do passado. A essência Honeysuckle é indicada para aqueles que resistem à mudança e se seguram nostalgicamente a um passado que parece ter sido mais atraente. Ela ajuda o indivíduo a aprender das experiências anteriores de vida ao ver claramente seus significados e mensagens, permitindo que cresça e experimente a vida com intenção e propósito.




Hornbeam
(Carpinus betulus, "Carpino")


Hornbeam é conhecido como o floral da sensação de "segunda-feira". Aquele desânimo, aquela falta de vontade de encarar o dia. Um verdadeiro estado de ressaca mental. Essa essência nos traz de volta o ânimo, a vitalidade, e a capacidade de balancear as tarefas necessárias com aquelas que nos levam ao prazer e ao relaxamento. Se você se sente de "saco cheio", pode se beneficiar de Hornbeam. Ele também é muito útil para quando há coisas que você precisa fazer e organizar e está sem um pingo de vontade. (Texto de Rafael Nova).




Impatiens
(Impatiens glandulifera, "Beijo")


Como o nome sugere, esta essência ajuda a cultivar a paciência para que flua harmonicamente com o tempo e abrace o ritmo dos outros. A essência Impatiens apoia uma imersão em trocas sutis mais lentas com o mundo e com os outros. Através da essência Impatiens, o indivíduo pode aprofundar a consciência e o o fôlego para que o Self interior se torne mais receptivo ao momento que se revela.



Larch
(Larix decídua, "Lariço")


Essa essência promove a autoexpressão positiva, autoconfiança, e espontaneidade criativa. Quando o ser se sente empoderado para falar sua verdade, assumir riscos, e viver fora da caixa, a alma pode realmente começar a crescer e evoluir. Essa essência pode ser indicada para aflições físicas na garganta assim como para outros casos de impedimentos de fala. A essência floral Larch liberta o potencial criativo e transforme a comunicação fechada autolimitante em um comportamento e falar autotranscendente.



Mimulus
(Mimulus guttatus, "Mimulus")


Essa essência transforma apreensão e medo em coragem e confiança para encarar os desafios da vida. Mimulus é indicada à hipersensibilidade aos medos dos acontecimentos do dia a dia e experiências limitantes. Mimulus traz luz, coragem e alegria de volta ao indivíduo e ajuda o ser a se conectar com a força e o propósito do Self Superior.



Mustard
(Sinapsis arvensis, "Mostarda")


Mustard encoraja uma perspectiva equilibrada nas autos e baixos emocionais da vida. O remédio Mustard soluciona a escuridão e depressão que comumente existem nas profundezas da memória subconsciente. Mais do que acreditar que a escuridão seja separada e perturbadora, o indivíduo consegue revolver com a escuridão e transformá-la em luz.



Oak
(Quercus robur, "Carvalho")


A essência floral Oak convida à entrega, aceitação das limitações, e flexibilidade, aqueles indivíduos que possuem naturalmente uma vontade forte e normalmente mordem mais do que podem mastigar. Enquanto tais pessoas são capazes de realizações imensas, essa mesma força pode torna-los rígidos. Essa essência convida à suavidade e à flexibilidade para balancear os atributos masculinos e femininos da personalidade tipo A.



Olive
(Olea europaea, "Oliveira")


Essa essência ajuda a cultivar condições para o repouso profundo e renovação frente à exaustão ou sobre-esforço do corpo físico. Aqueles em necessidade desta essência tendem a ser identificados com seus corpos físicos ou com a dimensão física. Frequentemente a essência Olive desencadeia renovação e restauro do corpo físico através de sua influência metafísica. Ela é normalmente a primeira essência escolhida pelas pessoas para ser trabalhada.



Pine
(Pinus sylvestris, "Pinheiro Silvestre")


Esta é uma essência dinâmica de liberdade que permite o ser a seguir em frente independente dos enganos passados. É uma construtora de autoconfiança, autoaceitação, e conhecimento interior. Pine ajuda as pessoas a liberar culpa desproporcional, autoacusação, e bloqueios físicos e energéticos devido à autocrítica excessiva. Pine ajuda o indivíduo a encontrar perdão e paz com o passado e todas as camadas do eu para criar um futuro tremulante.



Red Chestnut
(Aesculus carnea, "Castanheira Vermelha")


Red Chestnut é uma essência de amor. Ela ajuda pais, casais, crianças a acalmar preocupações e temores devido ao cuidar (e se preocupar) excessivamente. A essência Red Chestnut ajuda o indivíduo a estabelecer confiança, amor, e conhecimento de si. A energia vital de calma desta essência ajuda o ser a estabelecer ancoramento pessoal e clareza de como amar incondicionalmente.



Rock Rose
(Hellianthemum nummularium, "Cisto")


A essência Rock Rose é por direito uma das cinco no Rescue Remedy de Bach uma vez que ele suscita uma firmeza contida no eu. Luta ou fuga é encarada com forças de presente tais como o sol para enfrentar a situação em questão com uma resistência autotranscendental.



Rock Water
(fonte inglesa de água mineral)


A essência de Rock Water é na realidade mais mineral do que vegetal. Um dos remédios Ingleses originais de Edward Bach, ela é feita a partir de uma fonte subterrânea. Ajuda a desenvolver a flexibilidade interior, espontaneidade, e receptividade. Aqueles com atitudes excessivamente rígidas, ideais filosóficos, ou padrões de vida podem restabelecer a ligação com sentimento da alma com vazão e fluidez. Essa essência "exsuda" o fluir de nossas qualidades e normalmente é comumente uma das primeiras essências usadas, já que ela pode sintonizar a sensibilidade do ser à vitalidade das plantas.



Scleranthus
(Scleranthus annuus, "Craveiro")


Essa essência ajuda o indivíduo a ser decisivo, fazer escolhas, e proativamente criar sua inteireza e definir quem é. A essência floral Scleranthus guia o ser em direção à uma maior determinação e clareza de propósito, e envolvimento de vida.



Star of Bethlehem
(Ornithogalum umbellatum, "Estrela-de-Belém")


Essa essência floral é por direito uma das cinco no Rescue Remedy de Edward Bach. Star of Bethlehem é profundamente restaurador e ajuda a suavizar a tensão e o choque. Essa essência unifica o ser com as partes mais profundas do Self em momentos agudos de trauma – passados, presentes ou futuros. Essa essência busca sintonizar o Self com a luz e a orientação Divinas.



Sweet Chestnut
(Castanea sativa, "Castanha Portuguesa")


A essência Sweet Chestnut é a portadora de grande transformação espiritual e mudanças sustentada que acompanha eventos traumáticos agudos. Essa essência guia o indivíduo pelas estradas esburacadas da vida. Através do sofrimento intenso, o ser pode receber presentes de amor, perdão e entrega ao Self. Sweet Chestnut ajuda a alma a se entregar e se abrir a uma nova identidade espiritual.



Vervain
(Verbena officinalis, "Verbena")


A essência Vervain apoia aqueles indivíduos nascidos para inspirar, liderar, e curar os outros. Ela ajuda o ser a encontrar encoramento físico e espiritual, estabelecer limites apropriados, e liberar quaisquer energias ou cordas estranhas. A essência Vervain dá suporte ao balanceamento entre uma perspectiva de vida carismática, produtiva, idealista e saudável com conexão à fé Divina.



Vine
(Vitis vinifera, "Videira")


A essência Vine conecta o indivíduo à sua verdade interior e seus recursos divinos. Esses indivíduos podem ser extremamente generosos, poderosos e cheios de determinação. Essa essência ajuda o ser a aprender como liderar pelo exemplo, encontrando devoção interior e a verdadeira humildade.



Walnut
(Juglans régia, "Nogueira")


A essência floral Walnut dá apoio em transições importantes e transformação de vida ao encorajar a certeza dirigia pelo eu a fim de seguir o próprio caminho e destino. Normalmente essa essência é escolhida quando uma porta conhecida está se fechando para abrir caminho para uma nova e inestimável porta a ser aberta. Ela fortalece a resolução do ser para seguir adiante com coragem diante de oponentes ou hábitos passados.



Water Violet
(Hottonia palustris, "Violeta d'Água" )


Water Violet ajuda a transitar em direção a um estado de consciência mais inclusivo, ligações sociais, e uma total extensão de autoexpressão. Essa essência auxilia indivíduos introspectivos, refinados, dignificados, e de altas classes a se abrirem e evoluir para compartilhar compaixão e conexão alegre com toda a humanidade.



White Chestnut
(Aesculus hippocastanum, "Castanha-da-índia")


A essência White Chestnut acalma a mente, silencia a conversação mental, e promove uma disposição tranquila e um estado mental espaçoso que transcende os pensamentos de preocupação limitantes que se repetem. Isso pode ser extremamente útil em insônias e dores de cabeça que são desencadeadas por esse “pensar excessivo”. Essa essência ajuda a circular a energia mental excessiva descendendo-a para os centros emocionais do coração e do plexo solar.



Wild Oat
(Bromus ramosus, "Aveia Silvestre")


Essa essência apoia a manifestação de um caminho de carreira vocacionada que verdadeiramente se alinha ao chamado interior do ser, seus verdadeiros objetivos e valores. A saúde e vitalidade do corpo e espírito se beneficiarão enormemente do processo de trabalho criativo que claramente expresse o propósito de vida do indivíduo e suas convicções. Por fim, essa essência apoia a jornada profissional do ser em direção à serenidade e realização.



Wild Rose
(Rosa canina, "Rosa Silvestre")


Essa essência apoia a alegria e o comprometimento fluido com a vida, motivação e interesse no mundo e nos outros. Wild Rose reforça a vitalidade e sustenta a restauração física e corporificação emocional, a fim de que a pessoa possa experimentar os dons preciosos da vida.



Willow
(Salix vitellina, "Salgueiro")


A essência Willow promove flexibilidade, perdão, e aceitação das próprias responsabilidades. Essa essência ajuda as pessoas a abandonar a fixação no negativo dos desafios e problemas da vida e a seguir em frente com graça, aprendendo a seguir com o fluxo da vida.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Dia do Naturólogo


Hoje, 23 de março, comemora-se o Dia do Naturólogo (clique aqui). Já é o segundo ano que comemoro a data como profissional formado e como muitas coisas nesse mundo, meu pensamento e impressões sobre a Naturologia têm se desenvolvido e evoluído. Hoje resolvi escrever às pessoas em geral, aos estudantes e aos Naturólogos já formados, sobre alguns temas importantes para nós e para essa área do conhecimento.

Se você tiver força e paciência para ler, convido-o a me acompanhar neste texto.
Se você tiver a vontade, mas não a paciência, pode pular pelos itens e ser feliz.

A seguir:


  • Naturologia
  • Formação
  • Mercado de Trabalho
  • Associações
  • Horizontes
  • Conclusão



Naturologia



Muitas pessoas leigas ao ouvir a palavra Naturologia pela primeira vez deliciam-se com a visão imaginária de praias nudistas, comunidades alternativas ou um desfile de plantas exóticas e alucinógenas. Ao serem melhor informadas, contudo, elas balançam a cabeça e sorriem educadamente.

A despeito da boa vontade dos fóruns conceituais, ainda é bastante difícil explicar de modo prático o que faz a Naturologia. Acredito que muitos dos problemas iniciais da profissão tenham vindo dessa indefinição. O interessante é que ao procurar o curso nos guias e propagandas universitárias tudo parece seguro e consolidado. Mas durante a formação as dúvidas só se fazem aumentar.

Um dos desafios do porvir é realmente um pensamento prático e objetivo.

Por tradição, percebo os candidatos a Naturólogos, e Naturólogos, como pessoas cheias de boas ideias e intenções, mas não tão participativas e difíceis de chegar a um consenso. São necessárias muitas e muitas horas, e talvez pela tendência de ver o indivíduo como único, tudo é considerado um tanto subjetivamente e relativizado.

Hoje, via de regra os Naturólogos trabalham com a visão integrativa, isto é, ao tratar uma pessoa procuram perceber que relação existe entre a queixa dela e os acontecimentos em seu corpo, em suas emoções, em seus relacionamentos, em sua energia, etc. A partir de uma avaliação vão sendo oferecidas práticas naturais que sejam mais adequadas àquela pessoa naquele momento - por isso o tratamento é muito personalizado, quase customizado (pra usar um termo da moda).

Mas existem Naturólogos por aí atuando em empresas, outros trabalhando puramente com a estética, ou então focados em um tipo de sistema de Medicina Tradicional (como a Chinesa e suas modalidades de cura), ou focados em um tipo de prática. Existem ainda os que trabalham só no paradigma biomédico, focando apenas nas doenças com seus sinais e sintomas.

Com toda essa variedade, a profissão tem sido progressivamente divulgada. E agora somos nós Naturólogos que já estamos sendo surpreendidos quando falamos qual é nossa profissão e a pessoa nos diz que acha legal e sabe do que ela se trata. Ufa!



Formação



Atualmente existem duas Universidades que oferecem o curso de nível superior em Naturologia reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), com duração aproximada de 4 anos e meio e título de Bacharel em Naturologia. Pela divulgação dessa "nova" área de conhecimento, tem surgidos cursos de formação, extensão, e outros que fazem um empréstimo do termo Naturologia para designar suas atividades.

A formação do Naturólogo, como explicado, tem pouco a ver com praias de nudismo, comunidades alternativas ou plantas exóticas e alucinógenas. Ao longo da minha faculdade foram horas e mais horas de estudo de biologia, fisiologia, anatomia, neurofisiologia, farmacologia, entre outras disciplinas comuns à formação de qualquer profissional da área da saúde, somando-se a isso psicologia, antropologia, sociologia,   etc. Sem esquecer as disciplinas específicas da formação do Naturólogo com suas práticas vivenciais, e as terapêuticas e sistemas de diagnose e de Medicina Tradicional. Em alguns momentos pensei que não daria conta diante dos artigos por fazer.

Além disso, também tive o triste pesar de ter presenciado situações aterradores em sala de aula onde, por exemplo, alguns professores do curso - grande parte não-Naturólogos na época -  avaliavam projetos de Naturologia sem a menor consciência do que ela se propunha. Em outros casos, alguns professores não se mostravam seguros quanto às bases das terapias e meios de diagnose que eles próprios lecionavam. Situações delicadas, sem dúvida, e pouco benéficas para desenvolver certezas ou confiança.

(Devo ressaltar, porém, e ironicamente, que a maior parte do que sei sobre Naturologia em si, aprendi com professores não-Naturólogos, mas que tinham a Naturologia muito clara em suas almas do que alguns formados na área.)

O lado bom de tudo isso é a quantidade de experiências e lados que se pôde vivenciar na formação. O lado negativo é sempre ter algumas perguntas persistentes e que nem sempre são respondidas adequadamente, como: Por que isso funciona? O que isso tem a ver com Naturologia? Afinal de contas, qual é o conceito de Naturologia (meu Deus vou ficar louco)?

Em função disso, a formação do Naturólogo envolve muito raciocínio, e certamente a elaboração pessoal de teorias, técnicas e modos de trabalhar. Vem daí também a necessidade do estudante vivenciar o processo de atendimento, a "Sessão de Interagência", do lado de quem é recebido pelo Naturólogo - quer dizer, ser Interagente. Isso ajuda a compreender o quão profundo pode ser o trabalho em Naturologia, a captar as sutilezas dos sentimentos que só estar na jornada pode revelar, e depois ter toda essa bagagem que ajuda a identificar no outro o que está se processando nele. Naturólogos formados costumam dar um bom desconto quando atendem estudantes de Naturologia.

Creio que com toda experiência e os estudos que tem sido desenvolvidos - principalmente pesquisas sobre atuação dos Naturólogos, as grades precisem de uma revisão e readequação ao Mercado de Trabalho. Não se trata de deixar para trás a proposta da Naturologia, da visão integral, da interação, mas de fazê-la amadurecer na sua essência e principalmente, por favor, confiá-la a bons Mestres que sejam de fato educadores.

Creio, ainda, que a inserção do curso de Naturologia em Universidades Federais seja uma questão de tempo, e uma necessidade tanto para quem quer estudar e se depara com os altos valores da mensalidade, como para consolidar a oferta deste ensino.




Mercado de Trabalho



Aos candidatos e aprendizes de Naturólogo, talvez essa seção interesse mais.

Um formado em Naturologia precisa ter um espírito empreendedor. Ou seja, estar disposto a criar algo, um negócio, lutar por ele e aprender a mantê-lo. A outra opção é se inserir em uma clínica, onde na maioria das vezes pagará um aluguel ou uma porcentagem do seu atendimento, e terá o espaço, mas nem sempre a divulgação do serviço. No final das contas cabe sempre um empenho no sentido de vender seu trabalho.

Há uns anos atrás houve um movimento grande de interesse por tudo que era dito "natural", e hoje isso está mais sossegado porque tem se tornado parte da vida das pessoas tanto quanto usar a Internet. Afinal, o acesso ao conhecimento para uma vida natural tornou-se disponível, e seus produtos acessíveis (nas lojinhas e até mesmo mercados). Confesso que das pessoas que atendi conheci poucas que vinham pela premissa do natural... A maioria vinha mesmo com seus sofrimentos e com um interesse maior de tentar algo complementar porque o tratamento convencional estava limitado ou não as estava ajudando, ou queriam entender os porquês por trás de suas queixas.

Portanto fique atento quando se diz que a busca pelo natural torna o mercado de trabalho amplo para o Naturólogo.

Continuando, como opinião bem pessoal, acredito que uma formação profissional anterior ao curso seja um passo vantajoso. Isso te permitirá ter uma sustentação financeira enquanto investe na Naturologia, e afinal de contas dinheiro pra investir nela. Convenhamos: a menos que você tenha uma poupança bem gorda, vai querer trabalhar e ter um retorno das parcelas que você pagou arduamente pelo seu diploma. Portanto, plano de negócios mental, algo essencial (rimas financeiras).

Um outro movimento comum é a Especialização dos Naturólogos e sua inserção em áreas de Mestrado. O estudante pode se beneficiar deste esquema cursando uma especialização desde seu último ano, e buscando disciplinas isoladas nos Mestrados para se aproximar do meio de pesquisa e da área que deseja pesquisar. Ambos podem aumentar sua chance de atuação neste mercado: a Especialização por algumas terem um mercado já consolidado e permitirem concursos; o Mestrado pela possibilidade de carreira acadêmica ou de pesquisa.

Embora, como disse, esteja mais fácil cruzar com pessoas que saibam o que é Naturologia, a profissão ainda não teve seu expoente de sucesso. Como se diz, não caiu na mídia uma boa história de sucesso, ou ainda não há um Naturólogo extra-famoso ou que atenda uma grande personalidade . Isso também é questão de tempo. Mas até lá, ao formado que saiu de sua cidade e de repente pensa "e agora?", é preciso um bom planejamento de trabalho e divulgação, além de uma boa dose de paciência e persistência para se fazer conhecer e fazer compreender seu trabalho.

Uma outra opção mais recente e que tem recebido apoio das Associações é a inserção do Naturólogo no Sistema Único de Saúde (SUS). O profissional formado pode propor à Secretaria de Saúde e aos órgãos públicos municipais que estão envolvidos com a saúde da população, do trabalhador, etc. um contrato de experiência ou abertura de um concurso - claro, depois de apresentar e muito bem a profissão. Mas não vou me alongar nisso: sugiro o contato direto com as Associações para saber mais e receber o amparo necessário.

O lado bom do trabalho na saúde pública é o salário fixo, assim como é possível na área acadêmica como professor e pesquisador. Também vale mencionar o filão de Spas para um atendimento mais voltado à estética e à promoção de saúde.



Associações



Temos atualmente duas entidades de maior importância dentro da Naturologia no Brasil, e isso por si só já é um pouco problemático: Associação Brasileira de Naturologia - ABRANA(clique aqui), e Associação Paulista de Naturologia - APANAT (clique aqui).

A quem interessar possa, a profissão de Naturólogo ainda não foi reconhecida por Lei e isso impede a existência de um Conselho. É o Conselho quem fiscaliza e toma decisões importantes quanto ao exercício profissional, o código de ética, filiação, bases de remuneração, entre outros. Isto está em trâmite e na prática é preciso que um deputado apresente um Projeto de Lei sobre o reconhecimento, que depois será votado em outras instâncias até receber um canetaço da Presidente Dilma (que assim seja).

Imagine você, estudante, ainda pouco familiarizado com tudo isso, e aí então vê aquela palestra legal sobre a necessidade da representatividade junto à Associação. Mas, hey, wait! Existem duas! Pois é.

A despeito do quanto a ABRANA e APANAT têm produzido individualmente, está claro que num primeiro momento, principalmente dado os números de associados, teria sido bem mais interessante que houvesse apenas uma Associação com escritórios representativos em outros Estados para encabeçar as lutas da profissão.

Seja pelo lado financeiro, seja por outros motivos, às vezes um Naturólogo ou estudante se vê na necessidade de escolher. A lógica às vezes é simples: moro em SC, berço da ABRANA, logo me associo a ela; moro em SP, berço da APANAT, logo me associa a ela. Também levando em conta as vantagens e promoções de ambas que ser localizadas às suas regiões de origem.

Um problema nesse sentido, por sinal, tem sido o estímulo à associação de novos membros. Independente da luta pela consolidação da profissão, percebe-se também muitas vezes os desabafos pela falta de comprometimento dos membros, do "estar junto" ou "pegar junto" à diretoria.

Apesar disso foram realizados nos últimos anos quatro Congressos Brasileiros; está acontecendo um movimento (extremamente necessário) de maior abertura e transparência das atividades junto ao público, e também as ligações políticas têm aumentado em número e em peso. São passos ótimos quando se sabe dos trâmites burocráticos que existirão dentro da máquina dos Congressos de Deputados Estaduais, Federais e etc. Isso sem falar no projeto proposto para inclusão da profissão Naturólogo na lista do Cadastro Brasileiro de Ocupações do Ministério do Trabalho (CBO), que por si só já facilitará um tanto a vida dos profissionais ao ser aprovado.

O que eu pessoalmente acredito é que é preciso mostrar mais ao associados, mais do que já é: que eles sejam os primeiros a saber dos movimentos e ideias referentes ao rumo da profissão. Também penso que é preciso não só convencer, mas cativar Naturólogos e estudantes, com carisma e motivação. Se isso tem sido falho, ou não, não entrarei no mérito. Só desaprovo um pouco um sabor um tanto comercial que às vezes me vem pelo vento, que não me agrada nem um pouco.

Um outro desafio é realmente chegar a um consenso de conceito: afinal, o Naturólogo é um poli-terapeuta? Se sim, a Naturologia em si é um tipo de terapia? Ou o Naturólogo é outra coisa? O que é?

Sempre bati nesta tecla, continuarei a bater até que me haja dedos e uma boa resposta.

Novamente, uma opinião bem pessoal, ao estudante e profissional que me procurassem eu sugeriria em primeiro lugar a associação à ABRANA - pelo seu caráter Nacional e pela necessidade de fortalecer seu corpo de associados. Em segundo, que o membro avalie, opine e participe das atividades de sua Associação (seja ela qual for). Em terceiro, que as ajude com sua rede de contatos políticos e seus conhecimentos, dentro dos limites aceitáveis.



Horizontes



Finalmente, o que imagino e o que vejo para o futuro da profissão?

Sou um otimista e acredito que é uma questão de tempo para o reconhecimento (perante a Lei e perante a população), a regulamentação e a prosperidade do profissional Naturólogo. Mas, por outro lado, vejo que é preciso pensar e direcionar a profissão. Se existe algo além de terapias e técnicas, isto ainda é pouco explorado. É costume o apoio em visões de outras Medicinas, filosofias de cura, etc., mas não há um mergulho na tentativa de explorar um "modo de operação" próprio - a construção de uma visão de atendimento e abordagem terapêuticas próprios do Naturólogo.

Igualmente, tenho visto poucas pesquisas na tentativa de esclarecer os mecanismos de ação das práticas. O que tem sido feito é um exaustivo repertório de tentativas de comprovar que "isso" é bom para "aquilo". Contudo sem um esclarecimento dos mecanismos exatos de ação, não se chegará a um controle seguro do uso dessas práticas, e nem na ciência do seu uso (observar e repetir com o mesmo sucesso).

Soube recentemente caso de um professor que defendeu o avanço dessas pesquisas pré-experimentais de efeitos em detrimento de outras investigando mecanismos de ação. Olha, cheguei me arrepiar ao ouvir, e só me faz ter certeza que a ingenuidade (pra não dizer teimosia) às vezes é bárbara porque beira a barbárie. Isso sem falar nos que enchem a boca pra falar em Qi mas não admitem que se fale em bioenergia, ou práticas como Reiki.

Eu acredito que a Naturologia é bem mais do que o que temos visto, e pode bem mais!
Queria poder subir num tablado e falar isso pra todos, fazer isso entrar na cabeça de todos.

Pra mim, o Naturólogo realmente é capaz de juntar as informações das demais áreas da saúde e conferir um sentido a elas. E também ele é capaz de tratar não só seres humanos, mas vir a tratar os ambientes, animais, e tantas outras aplicabilidades que só a imaginação pode colocar limites. E por trás de tudo isso, é preciso muito estudo, claro, até porque não é só de acertos que vive a Naturologia; mas no mundo da fantasia a perspectiva de erro Naturológico é varrida pra baixo do tapete irresponsavelmente.

Da transformação que aconteceu em mim desde que coloquei os pés na sala do corredor F em 2006-2 até o dia de hoje enquanto escrevo, guardo uma coisa incorrupta: a convicção de que esse conhecimento pode conduzir a uma saúde melhor e colaborar para um mundo melhor. Minha avó que é professora costuma dizer que a despeito de todas as dificuldades atuais da classe, se fosse recomeçar a vida, não teria dúvidas: seria professora de novo. Desejo a todos esse espírito de vocação.



Conclusão


E por fim, aos que tiveram fôlego de chegar a estas linhas, congratulo pelo Dia do Naturólogo: estudantes (filhotinhos) e Naturólogos (colegas). Que possamos ter mais união, clareza de pensamento, e encanto pelas nossas atividades! Que não nos faltem sinais da vida, mensagens a nos conduzir e ajudar este precioso conhecimento para que ele possa se desenvolver ainda mais e crescer ainda mais do que inegavelmente já aconteceu. E claro, possamos todos comemorar muito!

Naturólogos, no dia de hoje ergam suas canetas de cromo, seus potes de argila, seus pinceis, suas plantas medicinais, seus pêndulos, suas macas, suas mãos, e principalmente seus corações (o maior instrumento), para celebrar a vida que nos trouxe a esta profissão. Regozijemos na certeza de um próspero amanhã e em tudo que somos capazes de contribuir, seja no apoio a um amigo no meio da noite, seja no dia a dia do trabalho!


A todos nós, senhoras e senhores,
Feliz Dia do Naturólogo!

sábado, 17 de março de 2012

Mensagem de Luis Fernando Veríssimo


Para mim, o meu conterrâneo Luis Fernando Veríssimo é um dos melhores escritores brasileiros. Seus textos são inteligentes, sutilmente profundos (por assim dizer), e cômicos na medida exata. Não foram poucas as vezes em que li suas histórias curtas e cheguei a chorar de rir! Um dia gostaria de encontrá-lo e chamá-lo de Mestre, quem sabe até pedir que autografe meu braço (jamais voltarei a lavá-lo). Brincadeiras à parte, hoje compartilho uma pequena mensagem dele:


Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender


1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.

6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".

8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.

10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.


Luis Fernando Veríssimo (clique aqui).
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