domingo, 27 de maio de 2012

A Dor do Outro

O Lúcifer de Guillaume Geefs.

É engraçado.

Nós todos carregamos machucados, todos temos nossos pontos frágeis, e nossos dias ruins. Mas em toda a época da minha existência, nunca vi dias tão amargos como os de hoje.

É claro, vivemos mais expostos e também dispostos a nos expormos mais. Tudo o que você faz, sente, vê, pode ser compartilhado na comodidade de uma cama, ou na clandestinidade de uma sala de aula.

O que me assusta, porém, e talvez me assombra, é que numa sociedade em que todos carregam uma dor pessoal, transformou-se em moda condenar a dor do outro. A dor emocional caminha lentamente para um “status” de tabu onde já está, por exemplo, a tristeza. Hoje é politicamente incorreto estar triste; chega a ser constrangedor dizer que se está triste. 

Devo afirmar como Naturólogo – e talvez arriscar a ser escárnio de outros profissionais e colegas, que nosso mundo está doente. E a doença tem nome: incompreensão.

No livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago (1922-2010), o autor fala sobre uma cegueira misteriosa que começa a contaminar toda uma cidade, a não ser por uma mulher. Eu penso, e quase tenho certeza, que Saramago sabia das coisas e onde poderíamos chegar.

Cena de "Ensaio Sobre a Cegueira", na adaptação de
Fernando Meirelles para o cinema (clique aqui).

Nossa cegueira coletiva não está nos nossos olhos físicos, mas na dificuldade crescente de compreender o outro, de ver dentro dele. O que temos feito é categorizar sua dor, questionar se ela é lícita, e julgar sua procedência. O sofrimento virou quase uma discussão estética.

Você já parou pra pensar que hoje em dia muitos buscam um terapeuta para simplesmente desabafar e ter coragem de revelar suas sombras e dores internalizadas? Não existe mercado para algo se não há procura. Não existe procura se não há necessidade. Temos necessidade de compreensão. De uma compreensão que nos libere.

Até lá, cada palavra de condenação vai ajudando a sobreviver o condenado sombrio que habita aqui e aí.

Talvez você não tenha entendido esse texto, mas infelizmente, tenho a estranha convicção que em algum momento você entenderá.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

The Iron Lady (2011)



Existe uma possibilidade de que você tenha lido esse post antes mesmo de estar lendo agora. Talvez tenha sido há décadas. Quem, ou o quê, garante que eu ou você não estejamos idosos, e sofrendo uma grande alucinação sem que tenhamos a menor pista disso? Afinal, qual é a realidade?

Ao assistir A Dama de Ferro, esse talvez tenha sido o maior impacto pra mim.

Nos primeiros minutos fica claro por que o Oscar foi entregue às mãos de Meryl Streep: sua atuação é impecável. Aliás, ela está tão perfeita em sua performance que é fácil esquecer de que tudo se trata de um filme. Esse é o dom dos grandes atores.

Meryl Streep interpreta Margaret Thatcher.

Contudo, um olhar mais atento ao filme confirma o que a crítica especializada falou... Não fica claro qual o objetivo do filme. Não fosse a representação minuciosa de Margaret Thatcher feita por Meryl, não sei exatamente o que seria dessa produção.

Talvez o filme tenha sido estruturado para ser isso mesmo: um retrato da demência. Para quem não sabe, essa é uma doença que afeta enormemente as capacidades cognitivas, a memória e o próprio organismo, e é a patologia que faz a ex-Primeira Ministra britânica conviver com o fantasma do falecido marido e numa guerra de recordações.

The Iron Lady também me recorda da minha avó paterna. Em minha cidade natal ela foi uma das primeiras mulheres em atuação na política, a primeira Presidente mulher da Câmara de Vereadores (aliás, agora o termo atual é o intragável Presidenta), Secretária de Educação, entre outros... Meu avô era a porção divertida da dupla, e até mesmo o penteado e o discurso lembram um pouco Thatcher.

O início da jornada política de Thatcher.

O que acontece com a minha avó é bem parecido também com o destino da Dama de Ferro: ambas enfrentam a idade avançada, e também uma série de acontecimentos trágicos que alteraram suas vidas. O filme me fez refletir sobre o papel do idoso na sociedade moderna através do momentos de lucidez da octogenária Margaret quando pondera sobre os acontecimentos atuais e sua própria saúde.

Nossa sociedade valoriza pouco a experiência e o discurso dos mais velhos, às vezes os ridicularizando e os segregando a espaços e eventos da terceira idade. A sabedoria do idoso foi trocada pela ilusão da juventude, pelos sonhos, numa polaridade perigosa ao invés do equilíbrio entre os dois pontos que poderia trazer um maior crescimento emocional ao nosso mundo já tão desenvolvido tecnologicamente.

A Dama de Ferro dá uma lição de moral no médico:
"Cuidado com seus pensamentos, podem se tornar palavras.
Cuidado com suas palavras, podem se tornar ações.
Cuidado com suas ações, podem se tornar hábitos.
Cuidado com seus hábitos, podem se tornar seu caráter.
E cuidado com seu caráter, ele pode se tornar seu destino.
Nós nos tornamos o que pensamos.
Meu pai sempre dizia isso, e eu acho que eu estou bem."

A possibilidade é forte que tenhamos deixado o mundo da prática, do fazer, e o trocado pelo mundo puro de ideais e inspirações. Quer um exemplo prático? Responda: você é a favor da corrupção? Pergunte a seus amigos, familiares, vizinhos, conhecidos. Todos dirão que não. Num país onde sofremos tanto por crimes no governo e corrupção que vão do município ao Planalto, algo está errado no nosso discurso... Ou nas nossas ações – porque ambos não fecham!

Em algum momento, diante de uma admiradora que foi jantar à casa dela, Thatcher lança: “costumava ser sobre tentar fazer alguma coisa, agora é sobre tentar ser alguém.



Fica claro que a influência das origens humildes e do pai criaram a base dos ideais de Thatcher. Igualmente, a necessidade de se posicionar, de moldar sua imagem para estar à frente de um cargo tradicionalmente ocupado por homens, fizeram dela o que ela foi. Talvez, tenha errado um pouco a mão na excessiva dedicação à carreira e na necessidade de estar à frente, e com isso ignorado os jogos de poder ao seu redor e o que se passava na vida familiar. 

Perceba que me refiro em maior parte às cenas do filme em que Meryl se esforça para caracterizar a Dama de Ferro dos dias atuais, e suas dificuldades. É porque esses parecem ser os momentos mais preciosos do filme, os que instigam e tiram você da zona de conforto.

Uma das cenas mais fortes, onde a Primeira Ministra
critica duramente o secretário. Suas mãos tremem no final.

Quando jovem, ela disse ao namorado que nunca seria a esposa que lava xícaras. A última cena do filme, e meu instinto de autor me disse que essa cena viria, mostra justamente uma velha senhora olhando pela janela e lavando sua xícara do café. Alguém cujo o filho está distante, a filha não parece satisfeita em estar ao seu lado, e cujo o marido não está mais ali, num apartamento vazio e de cores cinzentas, cercada por guardas e lembranças.

Se ontem, Thatcher foi uma das maiores personalidades da política mundial, e muito fez pela Inglaterra entre seus acertos e erros, o que é feito do ser humano agora? E a pergunta que você e eu não queremos ouvir: o que será feito de nós? - quando chegarmos aos oitenta anos, talvez com doenças, talvez precisando de ajuda.

The Iron Lady é um filme que vale a pena ser visto, se não pelo roteiro, pelo trabalho de Meryl Streep. Ele fala das decisões difíceis, dos limites humanos, dos erros, e especialmente das consequências. Assistir a Dama de Ferro é como escutar minha avó contando suas aventuras e desventuras, e pensar no que podemos fazer por nós e quem sabe pelo mundo.

Thatcher numa rara aparição pública em março de 2012.
Jornal The Sun.


Trailer: The Iron Lady (2011)
Encontre o filme em promoção para comprar: clique aqui.

Especialização em "Arteterapia no Contexto Familiar e Institucional"

As inscrições para o Curso de Especialização em Arteterapia no Contexto Familiar e Institucional foram prorrogadas e as aulas iniciam no dia 22 e 23 de junho em Porto Alegre/RS. Com turma confirmada, o curso tem Coordenação Pedagógica de Selma Ciornai, professores do Curso de Arteterapia do Instituto Sedes Sapientiae (São Paulo) e do Instituto da Família de Porto Alegre (INFAPA) - que sediará as aulas.

Os horários serão nas sextas-feiras das 14 às 21:30, e nos sábados das 9 às 13 e das 14 às 17:30, com um encontro mensal. Informações no e-mail: angeshigihara@yahoo.com.br

Clique para Ampliar.

domingo, 20 de maio de 2012

Adele - Live at the Royal Albert Hall (2011)


Seria uma injustiça se na história deste site, em algum momento, eu não viesse a falar de Adele. Não apenas porque ela seja uma artista incrível, mas também porque sua música me inspirou ao longo de muitas noites e ao longo de textos e desenhos.

Como de praxe, essa não é uma crítica de um músico, mas um pequeno e sincero review de coração para coração.

Pra começar, não vou mentir: eu sempre suspeitei da importância do falado Royal Albert Hall, contudo ainda não tinha total consciência dela. Com uma ajuda da internet é fácil descobrir o motivo de sua glória. Ele é uma grande sala de concertos com capacidade para 8 mil pessoas, com uma espetacular abóbada de vidro, e seu nome é uma homenagem da então Rainha Vitória da Inglaterra, em 1871, para o falecido marido o príncipe consorte Albert.

Fachada do Royal Albert Hall em Westminster, Inglaterra.

Para Adele, que é inglesa, nascida em 5 de maio de 1988 (vida longa aos taurinos!), deve ser uma forte emoção pisar num dos palcos mais aclamados do mundo e extremamente tradicional em seu país. É claro, percebemos isso logo na sua triunfal entrada ao som de “Hometown Glory”. A silhueta da cantora projetada num painel branco, e depois substituída por um perfil de sua cidade natal, revela uma Adele mais magra e (muito) mais loira.

Ao longo do show ela explica que Hometown Glory é a sua música no primeiro álbum, aquela que define tudo pra ela. A segunda, depois eu conto. Ouvir Hometown - estou íntimo da música - é um convite à nostalgia, especialmente àqueles que já deixaram sua cidade natal e depois voltam para revê-la.

Eu nunca tinha assistido a um show inteiro de Adele, e não acreditei quando vi o quanto ela realmente domina a cena com segurança e porte. Ao longo das primeiras canções, porém, percebe-se que ela está mais observando o público, as pessoas que estão ali, e a interiorização que arrebenta num potencial vocal tocante fica para as demais músicas.

Além disso, ela fala com o público, agradece a presença de todos, ri de sua situação tomando mel enquanto todos na plateia estão bem servidos com bebidas. E tudo isso incluindo um simpático e engraçado “hello!”, que ela repete várias vezes.

Preparando-se para a grande entrada.
Encarte do kit em DVD ou Blu-Ray com CD (clique aqui).

Logo no início é tocante a declaração de amizade que ela faz às amigas que estão presentes ali. É nesse momento que ela conta que “My Same” foi inspirada na relação com sua melhor amiga, e escrita na época em que se conheceram na adolescência. A partir daqui já percebemos que quanto mais a cantora coloca seu coração na performance, seus olhos vão se fechando, e sua capacidade de nos encantar cresce assustadoramente.

Mas essa maravilhosa apresentação, receio, talvez não seja para os fracos de coração. Além de falar e cantar sobre sua produção tão pessoal, centrada primordialmente na relação intensa com o ex, Adele também incomoda (num sentido gracioso). Ela incomoda porque sua música e sua voz tocam nas  nossas partes dolorosas, como quando ela pergunta ao longo da letra de “Don’t You Remember”:

Quando vou te ver de novo? Você foi embora sem adeus, nem uma palavra dita, sem um último beijo pra selar quaisquer pecados. Eu não imaginava o estado em que a gente estava. (...) Você não lembra? O motivo pelo qual você me amou antes, baby, por favor me lembra mais uma vez.

Eu admito que tive que parar para respirar um pouco. Todos conhecemos muito bem as inconstâncias do amor. Mas Adele também conta sobre a briga no restaurante que deu origem a “Turning Tables”, a notícia que o ex já estava com outra em “Rumour Has It”, e extravasa sua ira e angústia em “Set Fire to the Rain”.

Adele e seu senso de humor britânico - o melhor!

O momento que realmente me arrancou as primeiras lágrima foi quando ela pede a todos que acendam seus celulares e câmeras, e dedica a música “Make You Feel My Love” a Amy Winehouse. Ela fala que Amy adorava essa música, e que com as luzes formando aquele céu de estrelas ali com certeza ela os estará vendo e ouvindo lá de cima. A performance me deixou sem palavras.

Ela então brinca que agora é o suposto fim do show, diz “wink-wink” (piscadinha-piscadinha), e depois volta para fechar o espetáculo com seus dois grandes sucessos.

“Someone Like You”, é claro, é dedicada ao ex, mas Adele conta que esta é a sua música no álbum 21. Porém, aqui ela abre um parêntese para contar que hoje em dia eles são amigos, sem aquela proximidade que faria tudo ficar meio estranho, e o pior com certeza passou. Ela dedica a canção a ele por ter mudado sua vida, e mais tarde ela confessa – assim como confessa em outras músicas do show – que cantá-la sempre a deixa triste.

Nesse ponto, enquanto eu secava o rosto (de novo), percebi que sua performance de “Rolling in the Deep” do Royal Albert Hall não é a mesma com a qual estamos acostumados. Me senti muito cúmplice dela neste momento porque enquanto ela também estava com os olhos úmidos, eu também estava, e não me imaginava cantando sobre revolta e dar o troco após um testemunho de amor tão sincero. Enquanto o público gritava e aplaudia, me senti sozinho com Adele durante sua última música.

Olhos fechados e "emoção" - a palavra que define o show.

Mas para mim, Make You Feel My Love e Someone Like You são as preferidas. E afinal, Someone Like You nos atravessa com uma honestidade tal que confessamos também nossas perdas (como ela diz antes da canção: sejam por escolha ou não). Quem nunca saiu de casa e apareceu sem ter sido convidado, na esperança que ele(a) te visse, e ao ver seu rosto lembrasse que pra você ainda não acabou? E o(a) encontrou diferente, com reservas, numa timidez e distância que não são próprios... Te fazendo perder tudo e desejar nada além do melhor para os dois, implorando não ser esquecido, e lembrando que apenas ontem foi o melhor tempo das suas vidas.

É assim que é assistir Adele ao vivo no Royal Albert Hall, é viajar nas letras, nos olhares, nos acordes bárbaros, e ficar também introspectivo. É incrível como Adele sinceramente nos compartilha sua vida tão explicitamente, e essa ausência de medo em ser quem é, de confessar seu amor, sua saudade, sua mágoa e raiva, a tornam única e dão origem a músicas que são reconhecidas e aclamadas por todos que as ouvem com a alma. Uma transparência na qual conseguimos nos identificar e encontrar conforto.

A ideia que me faz concluir esse longo texto é a de que esse show é um presente. É ideal para dar a quem você gosta, ou dar a si mesmo... Mas ele não é um show comum: é uma experiência que modifica algo. Depois de receber o convite para o aclamado Royal Albert Hall, e contemplar Adele em algumas de suas melhores performances, você não se sentirá o mesmo.


Adele - Make You Feel My Love
Encontre o DVD + CD para comprar: clique aqui.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Contando os Anos

"Faça um pedido..."

De longe, algumas das minhas datas preferidas do ano são os aniversários: eles são momentos de alegria, celebração, sonhos. 

Hoje, às 15:09 quando conto oficialmente mais um ano de vida, é inevitável deixar de pensar sobre algumas coisas. A primeira delas, talvez, seja a passagem do tempo – como passa rápido! Ontem eu era adolescente, hoje sou adulto... Assim tão de repente que às vezes ainda é estranho me acostumar à ideia. E quer saber? Talvez jamais me acostume e passe a vida numa bipolaridade deliciosa: ora me sentindo velho e ranzinza, ora me sentindo uma criança brincando e fazendo meus desenhos.

Embora, claro, a vida nos traga presentes materiais, para mim a maior alegria sempre é ler e receber as mensagens das pessoas, dos amigos, da família. Não importa se são com gestos ou palavras (poucas ou muitas), e sim o carinho que vem embalado em cada uma delas. É tão bom se sentir querido, se sentir importante na vida de alguém! Ainda que de modo discreto para alguns, ou de modo intenso para outros, saber que você leva algo além do tanto que já recebe é motivo suficiente para tornar a data um feliz, feliz aniversário.

Este também é um momento de pensar nessa estrada que vai se avolumando. Nas palavras do espírito Irmã Maria Clara: “tudo o que fazemos e tudo o que somos é como uma pintura que vamos deixando na infinita tela do tempo”.

Na vida, todos cometemos erros. Eu já errei com algumas pessoas, e tentando acertar talvez não tenha tido a compreensão suficiente. Mas não por mal. Embora eu não possa verbalmente me dirigir mais a estes que me ensinaram muito nos desafios de conviver, meu coração se estende a todos. Jamais esquecidos, os tenho em gratidão e na certeza que de em algum modo, em algum tempo, poderei reparar se um dia trouxe lágrimas ou tristeza.

E apesar de todos os pesares, há sempre motivos para celebrar. Tudo o que somos capazes de fazer sobre a Terra e diante do próximo, quando estamos com os corações cheios de nossa mais genuína luz, ainda me faz brilhar os olhos e crer que nosso mundo de fato pode ainda ser um lugar bem melhor. Mais do que em qualquer outro momento, neste dia que dizem ser meu (mas é nosso), sempre sinto mais esperança, e mais felicidade, porque vejo tudo com outros olhos. Olhos de riso.

Eu sou Rafael, sou Rafa, Rafinha, entre outras adoráveis variações que rodam como música aos meus ouvidos. Sou amigo, profissional, sensitivo, artista, um (des)conhecido, um cúmplice, um namorado, um ex, um atual, um antipático, um querido... Sou uma entre bilhões de histórias, nesta grandiosa história da humanidade. Assim como você, escrevendo juntos a cada encontro e desencontro.

Não sinto pesar pelos anos que vão se acumulando e nem pelos que se passam, bem pelo contrário. Até o presente, descobri que uma das melhores coisas em contar anos é a experiência e a maturidade. O conhecimento que nunca é perdido e nos ajuda a viver melhor e a tratar com mais carinho a nós mesmos, e todas as coisas que existem conosco no universo.

No dia de hoje, compartilho minha alegria com todos, no mais sincero sentimento de gratidão. A todos que fazem aniversário hoje e em outras datas, com bolo ou sem bolo, que jamais se perca em nós o senso de humor e a capacidade de renovação. Alcançaremos nossos sonhos, daremos boas risadas de tudo isso, e conquistaremos o mundo com toda certeza.

Obrigado, e agora vamos celebrar porque ninguém é de ferro!


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um Ponto Final


É difícil falar sobre perdas, sobre términos.

Ao mesmo tempo acho que todo mundo já passou por algo do tipo, e se não passou um dia vai passar. Por isso não são precisos muitos parágrafos para trazer certa compreensão sobre o assunto.

Existem fechamentos que ocorrem por motivos naturais: são as mortes, ou as forçosas separações devido à distância. São situações que podem ser até inesperadas, e nos atingem como raios num dia de céu azul.

Outros são motivados por decisões... Um afastamento diante de um parceiro abusivo; um estilo de vida que já não traz um retorno positivo; uma mudança de cidade que se faz necessária para trazer novas oportunidades.

Entretanto, quaisquer que sejam as razões, o dolorido que segue e a nostalgia são sempre uma constante. É complicado abandonar tudo que já foi tão conhecido. É impressionante como às vezes, por mais que uma situação já seja ruim e insustentável, ainda assim nos pegamos pesarosos e sofremos ao deixa-la para trás.

O mundo dá muitas voltas. Às vezes reencontramos afetos, lugares, ocupações... Mas nunca do mesmo modo: sempre trazemos conosco as marcas do passado, e a nossa experiência – nossa maturidade.

Nesses momentos podemos ser vítimas dos mais variados sentimentos: estranheza, saudade, felicidade, pesar, arrependimento, etc. Aliás quando nos deparamos com as perdas e os términos não é raro a culpa ser a primeira a nos bater à porta. Mas acho "culpa" um fardo pesado, talvez responsabilidade fosse uma palavra melhor.

Nem sempre somos responsáveis por quando as coisas se vão, ou por quando tomamos a árdua decisão de irmos. Contudo, é louvável quando temos força de admitir nossa parte, nos retratamos, antes de partir.

Também penso que as primeiras noites são sempre as piores. Se você conseguir passar por elas, significa que sobreviveu, e cedo ou tarde encontrará um meio de se reerguer e preencher seu mundo com novas cores.

Decidir colocar um ponto final é um ato de coragem. Às vezes, um ato libertador – para todos.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Lado Bom da Timidez

"Tímida", arte de CP Sajith.

A edição de março de 2012 da Revista Superinteressante trouxe uma interessante matéria intitulada "O lado bom das coisas ruins". Compartilho a seguir o trecho que fala sobre a timidez e seu possível lado positivo:


Timidez

Escolas valorizam trabalho em grupo. Processos seletivos jogam candidatos em dinâmicas para identificar líderes natos. Empresas colocam seus funcionários em amplos escritórios sem divisórias e colhem ideias em brainstorms com uma dezena de pessoas - vale tudo, menos ter vergonha de falar besteira. Vivemos no mundo dos extrovertidos. Mas há pesquisadores que veem essa valorização do trabalho coletivo e da extroversão como um tiro no pé. "O mundo está desperdiçando o talento das pessoas tímidas", defende Susan Cain em seu livro Quiet (Quieto, sem versão brasileira), que compila estudos sobre o assunto.

Mas como a timidez pode ser positiva, afinal? Para responder a isso, precisamos esclarecer uma coisa - ser introvertido não significa ser fechado ao exterior. Muito pelo contrário. É ser sensível demais a ele. É o que tem demonstrado desde a década de 1960 o psicólogo Jerome Kagan. Em seu estudo mais importante, ele juntou 500 bebês de 4 meses em seu laboratório em Harvard para observar como reagiam quando estimulados com sons, imagens coloridas em movimento e cheiros. Então separou o grupo dos que reagiam muito - 20% deles - e o dos que reagiam pouco - 40%. Suas pesquisas anteriores lhe permitiram predizer o contrário do que a intuição sugere: os muito reativos se tornariam os futuros introvertidos. Aos 2, 4, 7 e 11 anos de idade, essas crianças voltaram ao laboratório de Kagan. As que haviam sido classificadas como muito reativas desenvolveram personalidades sérias, cuidadosas, enquanto as pouco reativas se tornaram mais relaxadas e autoconfiantes - a futura turma do fundão. Isso porque a amídala (estrutura do sistema límbico, responsável por reações instintivas, como apetite, libido e medo) é mais facilmente estimulada em crianças muito reativas. Ou seja, são mais alertas, mais sensíveis a estímulos novos. Suas pupilas se dilatam mais, suas cordas vocais ficam mais tensas, sua saliva tem mais cortisol - um hormônio do estresse - e seu batimento cardíaco se acelera mais. Um pouco de novidade já implica em vontade de se proteger. O lado negativo é que são mais vulneráveis à depressão e à ansiedade. Mas, ao mesmo tempo, podem ser mais empáticas, cuidadosas e cooperativas, desde que se sintam em sua zona de conforto. "Crianças muito reativas podem ter maior probabilidade para se tornar artistas, escritores, cientistas e pensadores, pois sua aversão a estímulos novos as faz passar mais tempo no ambiente familiar - e intelectualmente fértil - de sua própria cabeça", diz Cain. Um introvertido concentra a mente numa só atividade, em vez de dissipar energia em assuntos não relacionados ao trabalho - estudos do programador americano Tom DeMarco com 600 colegas mostram que o que define a produtividade no setor de TI não é o salário nem a experiência, mas o quão isolado é o ambiente de trabalho. A solidão também permite focar-se nas próprias falhas e treinar até chegar à perfeição. É esse tipo de prática que cria grandes atletas e virtuoses musicais.


Revista Superinteressante.
Leia a matéria na íntegra: clique aqui.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Projeto de Lei da Naturologia é Protocolado


De acordo com comunicado da Associação Brasileira de Naturologia (Abrana) e da Associação Paulista de Naturologia (Apanat), foi protocolado no último dia 3 de maio o Projeto de Lei que propõe a regulamentação da profissão de Naturólogo. Apresentado pelo Deputado Giovani Cherini do PDT sob número 3804/12, a partir de agora é possível acompanhar em tempo real o andamento do Projeto através do site da Câmara dos Deputados:

PL 3804/2012 (clique)

O link traz na íntegra o teor do documento. Este é um passo extremamente importante para o reconhecimento da Naturologia. Para saber mais sobre os estágios pelos quais o Projeto deve passar ainda, leia a entrevista realizada por este site com o Deputado Cherini - clique aqui.


Parabéns a todos os envolvidos nesta importante conquista, especialmente à Abrana e Apanat!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

10 Motivos Para Amar a Naturologia


No Brasil, na década de 90, aconteceu uma intensificação na busca pelas terapias naturais. Nesse período muitas técnicas chegaram ao Brasil, e por uma necessidade de mercado logo surgiram os cursos de Nível Superior para atender a demanda. Nasciam aí os primeiros profissionais Naturólogos

Contudo, a Naturologia tem se consolidado não só como um agrupado de terapias naturais para atendimento em saúde, mas como uma nova proposta de cuidado. O diferencial desta profissão é o modo como enxerga e trata os seres: dentro de uma perspectiva holística.

A seguir, veja 10 motivos para começar a amar a Naturologia e conheça um pouco mais sobre essa fascinante e nova área de conhecimento:



10. A Proposta


A Naturologia propõe integralidade. Ela enxerga saúde como algo que vai além do corpo: inclui as emoções, o estado mental, as relações sociais, a energia, etc.

O foco não está nas patologias e sim no bem estar. Ao tirar o olhar da patologia e levar para a pessoa, diversos tipos de queixas podem ser tratadas, em qualquer idade – crianças, jovens, adultos, idosos.

Você pode procurar um Naturólogo diante de qualquer mal estar. Ele te ajudará a compreender as origens desse mal estar e como ele está afetando as outras áreas da sua vida. Tudo está interligado.



9. A Complementariedade


A Naturologia não se apresenta como alternativa a nenhum tratamento médico, ou a outros profissionais. Sua ação é complementar, e por isso mesmo potencializadora.

O Naturólogo consegue perceber as relações entre as informações que as demais áreas da saúde coletam, e orientá-las para um tratamento mais eficiente. É a sinergia.

Em casos crônicos, as técnicas e a visão da Naturologia podem ajudar a melhorar os quadros e a qualidade de vida. Em situações comuns, pode apoiar os tratamentos convencionais oferecendo recursos extras e naturais.



8. A Singularidade


Embora exista uma conexão entre todos, cada indivíduo é único. Ao recebê-lo em seu consultório, o Naturólogo vai avaliar e conhecer você, seu corpo, sua vida.

Essas informações preciosas orientam o tratamento. Ele é feito para você: sua personalidade, sua constituição. Por não focar em doenças, queixas semelhantes podem ter tratamentos bem diferentes.

O termo “personalizado” ou “customizado” parece se adequar à ideia. A sua manifestação é singular, e merece ser considerada como uma parte determinante no modo como sua saúde é tratada.



7. O Atendimento


Os atendimentos comumente incluem uma conversa terapêutica e uma aplicação prática. Alguns aplicam o termo “Sessão de Interagência” para designar essas atividades, e "Interagente" para se referir à pessoa atendida.

Você é convidado a participar com suas ideias, impressões e opiniões a todo o momento. É o feedback que orienta a terapêutica, e ajuda a revelar os resultados.

Ampliar a percepção do indivíduo ajuda-o a ver coisas novas no que parece já tão consolidado. Isso facilita a encontrar maneiras de recuperar o bem estar, e a entender melhor você mesmo e o outro.



6. O Profissional


Ser atendido por um Naturólogo é uma experiência única. Comumente são pessoas criativas e acolhedoras, bastante atentas ao que você está falando e também ao que você não fala, mas comunica através dos relatos, ações e posturas.

Ele também é um questionador e um problematizador, de modo a ajudar você a pensar mais sobre sua vida.

Conforme escolhe as práticas mais adequadas, ele o encoraja a experimentar o novo e a ter autonomia. O Naturólogo também realiza uma troca de experiências, que contribui para a interação e o crescimento de ambos.



5. A Natureza


Todos conhecemos a sensação de sair de uma cidade grande e cinza, e encontrar um campo, uma praia, ou um ambiente repleto de verde. Desde muito a natureza inspira paz e refazimento.

A Naturologia utiliza recursos naturais como plantas medicinais, cores, arte, música, o toque, a energia, entre outros. Elas reproduzem a sensação de estar “em casa”, e nutrindo nossas raízes humanas.

Além disso, ao ajudar você a se perceber melhor, você também passa a conhecer sua própria natureza. Como seu corpo funciona, suas emoções, reações, potenciais, e defesas.



4. O Autoconhecimento


Muitas vezes não nos damos conta, mas repetimos padrões ao longo dos anos, que nem sempre nos fazem bem. Às vezes eles nos sabotam e vão minando nossas relações e nossa saúde.

Embora separemos com a finalidade de estudar, corpo, psique, energia, formam um conjunto. Nossas atitudes refletem em nosso corpo, e até mesmo nossas emoções podem gerar doenças físicas.

Saber quem você é e como você é, pode não só trazer mais poder de escolha, mas também um sentido para suas experiências de vida. A Naturologia apoia e auxilia no autoconhecimento não só pela conversa, mas pela experiência através das terapias naturais.



3. A Qualidade de Vida


Pessoas com doenças físicas podem ter sua qualidade de vida prejudicada. Contudo, pessoas com doenças físicas podem também ter uma qualidade de vida superior àquelas consideradas fisicamente “saudáveis”.

Qualidade de vida não é apenas a condição do seu organismo, mas envolve um mundo de relações, disposições e percepções. Você pode sentir um bem estar independente de estar, ou não, manifestando alguma patologia.

A Naturologia se envolve intimamente com a qualidade de vida do ser humano, seja a nível individual ou coletivo. É um dos objetivos nos atendimentos realizados pelo Naturólogo.



2. A Vitalidade


Os médicos chineses falavam do Qi, os médicos da Índia sobre o prana, os xamãs se referiam ao mana. Muitas culturas identificaram e mencionam um tipo de energia vital que permeava o organismo.

A condição desta energia se refletia no funcionamento dos órgãos. Ela poderia sofrer baixas, bloqueios e altas. Além disso, foram criadas técnicas para sua manipulação.

O atendimento Naturológico procura avaliar também sua vitalidade – seu ânimo e disposição para realizar as coisas. A energia vital do seres e ambientes é um dos importantes fatores da saúde integral.



1. A Saúde


Para a Naturologia, ser saudável é se sentir bem, compreender as mensagens que nos chegam pelo corpo ou pelos acontecimentos da vida. É estar orientado e em desenvolvimento.

A vida é uma continuidade de fatos e fases, e a adaptação é uma maneira de ter saúde. Mas não apenas se adaptar para sobreviver, e sim viver com gosto, com ânimo e realização.

O Naturólogo busca desenvolver esta saúde junto do seu Interagente, ou onde quer que atue. É um modo ampliado de ver e compreender a si mesmo, de saborear a existência.




- Rafael A. L. Fonseca
Naturólogo, avalia e trata a distância pessoas, casas e ambientes (clique aqui). Autor deste site.
Contato: rafaelnaturologia@gmail.com.
Posts Relacionados