quinta-feira, 28 de junho de 2012

Sentindo-se Seguro Consigo

"Homeland Security" por Franz Falckenhaus

"Ousadia. Uma das qualidades mais notáveis de um homem em segurança."
(Ambrose Pierce)

É tudo uma questão de opinião. 

É incrível como às vezes alguém nos dá aquele elogio ou aquela valorizada e depois aparece alguém que nos critica, e em função dessa crítica (muitas vezes infundada) acabamos perdendo toda a graça. Numa fila de 10 pessoas tecendo elogios, se aparece uma nos colocando o contrário, parece que vai tudo por água a baixo. 

É só olhar um pouco mais atentamente e vamos ver que de certo modo estamos volta e meia tentando agradar e evitar um conflito. Temos um lado que se fortalece com a aprovação, e que também se enfraquece com a reprovação. O negativo é quando estamos o tempo todo nos sacrificando pela aprovação.

Escutar os outros além da conta traz uma constante insegurança: o mundo se torna variável demais, terceirizado demais. As coisas passam a nunca ter a ver com você e sim com o que os outros esperam e desejam pra você. Essa aprovação do outro, e as decisões que ele toma por nós, nos isenta de responsabilidade, mas também de realização.

Conheço, por outro lado, várias pessoas que convencem amigos e familiares a – por exemplo, fazerem coisas com elas. Essas pessoas não se sentem bem sozinhas para irem atrás de seus sonhos, ficam desconfortáveis em outros lugares. O mundo parece uma constante ameaça incômoda.

Ser seguro consigo é literalmente “segurar” em si, aprender a valorizar o que tem mais a ver com você, validar a si mesmo.

Quando você está centrado na sua essência, consegue fazer decisões mais acertadas. Consegue também se sentir bem a ponto de não se importar caso alguém discorde de você, ou de quem você é. Igualmente, é capaz de ir atrás dos seus desejos para torna-los reais.

Só temos a ganhar ao nos tornamos seguros. Podemos escutar o outro sem desprezar nossas vontades; podemos nos colocar no mundo e não perder oportunidades por falta de companhia; aprendemos a lidar com as diferenças, e longe de ficar presunçosos, crescemos com a crítica sem torna-la um martírio pessoal.

Sentindo-se seguro consigo você torna a vida mais leve.

Proponho um exercício: nesse momento sinta no centro do seu coração essa sensação de segurança. Perceba um calor que se irradia e traz conforto. Repita para si: “Estou seguro comigo, e vai dar certo, já está dando certo, está certo. Sou capaz de atingir todos os meus sonhos.”

Sempre que se deparar com um passo em falso, visualizando insegurança em algum ponto da sua personalidade, ou diante de alguém, treine sua mente para buscar conforto e aceitar a situação, tirando o que há de positivo e seguindo em frente. Você não é melhor e nem pior do que ninguém, mas com certeza é capaz de fazer tudo que tem a ver com sua essência mais profunda.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Snow White and the Huntsman (2012)

"Espelho, espelho meu..."

Essa semana lutei contra o sedentarismo e fui até o Shopping Via Catarina em Palhoça/SC para assistir Branca de Neve e o Caçador, na rede Arcoplex. A minha expectativa era grande em função dos trailers de ótima qualidade que circularam antes da estreia, e eles acenavam com o ótimo bordão da Rainha: “beleza é o meu poder”. 

Já começo entregando o jogo: o filme é um banho de água morna.

Não é um banho de água fria em função da linda fotografia, dos ótimos efeitos especiais, e de toda aquela sensação de assistir a um clássico infantil adquirindo tons bastante sombrios com atores conhecidos. Mas é quase impossível não comparar justamente a atuação de Kristen Stewart (agora sem as lentes de contato castanhas) com sua Bella da Saga Crepúsculo. Relembremos: aquela boca meio abrindo e fechando; o momento em que a heroína tem convulsões de sofrimento; o momento em que parece morta; o momento em que pula do penhasco; sobra até pra própria maçã o fardo de nos lembrar Twilight.

A sensação de já ter visto isso antes.

Acredito que tenha se evitado tanto que tudo recaísse numa história de amor, que invariavelmente o filme fica meio descaracterizado. Os personagens tem uma profundidade “funcional”: por exemplo, o caçador é um alcóolatra que perdeu a esposa, mas isso serve só para ter o que contar e justificar depois. Os elementos da história são rasos, costurados, e não cativam muito.

Nesse ponto, Chris Hemsworth (o caçador, foto) aparece volta e meia com uma garrafa na mão, e pra mim, que assisti ao filme legendado, a atuação não convence. Chega a ficar um pouco forçado e é totalmente previsível que ele substitui o nobre filho do Duque no coração de Branca de Neve.

Ele não quer voltar à Floresta, e nunca saberemos por quê.

Ok. Partes boas. Vejamos... Muito interessante a noção de que a Rainha Má algum dia sofreu muito e se tornou essa criatura na qual ficamos desejando bater; a parte em que seus poderes não funcionam na floresta sombria (nunca saberemos o por quê #2); a criatura do espelho que só ela enxerga (nunca saberemos o por quê #3); as fadinhas e as criaturas da floresta que parecem ajudar Branca de Neve. A fuga da princesa é promissora, assim como o interessante personagem do anão cego.

Enfim, boa parte do filme se salva pela maravilha da Charlize Theron. Mas até aqui parece que a coisa foi pouco explorada... Aquele banho de leite do trailer, o "beuaty is my power", o misterioso passado, os guardas feitos de pedra. Chega dar uma ansiedade pensar no trailer, e depois em como aqueles elementos estão dispostos na tela.

Rainha Ravenna: fonte de Cálcio!

Também se sugere no filme que a Branca de Neve tem um dom e um poder capazes de salvar o Reino cujo as terras se tornaram mortas. E ela até chega a tocar num lindo cervo na floresta, e a presença dela diminui as dores dos anões... E é isso! Tirando o fato de ela ter potencial para matar ou salvar a Rainha, é o que vemos. Ah, a cena dela perto da criatura da floresta é digna de nota - outra promissora (mas só promete mesmo).

Como eu falei o filme não é ruim, ele empolga em alguns momentos como na preparação da batalha onde Kristen Stewart faz um discurso e finalmente tem oportunidade de desenvolver um pouco mais da personagem. Você percebe que ela tem potencial, só que fica difícil num roteiro com pouco espaço, eu diria. É uma super produção, isso não se discute, só que longe³ de ser encantadora.

O filme é asim, só que ao contrário.

O que é interessante num ponto de vista mais psicológico é como os heróis tem se tornado seres problemáticos e tem sido feita a tentativa de fortalecer as personagens mulheres. Isso acontece em Enrolados (clique aqui), está acontecendo na novela das nove atual, e em Branca de Neve e o Caçador. O homem é frágil, ferido, e a mulher possui o poder para enfrentar o mal.

"Dane-se o Príncipe! Bora, pegar o que é meu!"

A mensagem do filme é o velho “não desista”. Contudo, penso que a redenção, as lágrimas de compaixão, que também fazem um ponto alto do filme após a luta entre Branca de Neve e a Rainha, são flertes rápidos com um potencial que deixou de ser explorado na história. É uma pena. Não há um elemento surpresa no filme, talvez exceto pelo suposto poder oculto na personagem principal.

Eu saí do cinema com aquela sensação incômoda de que vi um bom filme, sem ter levado algo a mais, algo mais profundo a dizer. Talvez outras pessoas possam se identificar mais e se apaixonar por essa versão. Pra mim, a tentativa de inovar acabou minimizando demais elementos originais e essenciais do conto de fadas.

É um filme duro e bonito, como o a Rainha Má. Ela vai valer o seu ingresso com toda certeza.



Trailer: Branca de Neve e o Caçador (2012)
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